sexta-feira, maio 9

Feliz Dia das Mães



Mãe carinhosa, mãe dengosa
Mãe amiga, mãe irmã
Mãe sem ter gerado é a mãe de coração

Mãe solidão,
Mãe de muitos, mãe de poucos
Mãe de todos nós, Mãe das mães
Mãe dos filhos
Mãe-pai: duas vezes mãe

Mãe lutadora e companheira
Mãe educadora, mãe mestra
Mãe analfabeta, sábia mãe
Mãe dos simples e dos pobres
Mãe dos que nada têm e dos que tudo têm
Mãe do silêncio, mãe comunicação

Mãe dos doentes e dos sãos
Mães dos que plantam e dos que colhem
Mãe de quem nada fez e de quem compra feito

Mãe de quem magoou e de quem perdoou
Mãe rica, mãe pobre
Mãe dos que já foram, mãe dos que ficaram
Mãe dos guerreiros e dos guerreados

Mãe que sorri, mãe que chora
Mãe que abraça e afaga
Mãe presente, mãe ausente
Mãe do sagrado, mãe da luz
Mãe de Jesus e mãe nossa.

Mãe, simplesmente mãe.

quinta-feira, maio 1

Talento pernambucano na telona, na telinha e no palco.


Prazeres Barbosa: talento pernambucano na telona, na telinha e no palco

Prazeres Barbosa é considerada a primeira dama do teatro de Caruaru, mas seu talento a fez transpor as fronteiras da capital do agreste pernambucano e ganhar o Brasil. Atriz de teatro, havendo interpretado inúmeros personagens em 11 espetáculos ao longo de 25 anos de carreira, Prazeres contabiliza ainda 13 filmes, participações em duas minisséries e atualmente vive a personagem Shirley, na novela Duas Caras (21h, Rede Globo). Na entrevista a seguir, Prazeres fala da vasta experiência nos palcos, montando, em sua maioria, autores nordestinos. Revela o processo de criação de suas personagens. Conta como foi vencer os preconceitos e construir uma sólida carreira e divide as alegrias de chegar à telona e à telinha, levando o talento pernambucano para todo o Brasil. (Entrevista concedida a Rodrigo Dourado)

TeatroPE: Você nasceu em Caruaru? Gostaria que você nos contasse como começa sua carreira, de onde vem o interesse por teatro e qual seu primeiro espetáculo?


Prazeres Barbosa: Sou natural de Caruaru, de 1949. Acredito ter nascido designada a ser atriz. Desde criança já brincava de teatrinho, dançava pastoril e, aos 10 anos, era cantora mirim dos programas de auditório da Rádio Difusora de Caruaru. Profissionalmente, só encarei aos 32 anos, após um casamento desfeito e um filho para educar. Como no meu tempo, mulher separada não era bem vista e atriz era o selo da prostituição, decidi virar a mesa e desafiar tudo e todos.

A pena e a Lei ( 1984)

Enfrentei preconceitos inimagináveis, da família, amigos e sociedade educacional (fui professora por 25 anos em sala de aula). A convite do ator e diretor Severino Florêncio, em 1982, enveredei por esse mundo fantástico, afirmando-me como artista e realizando-me como mulher. Subi ao palco pela primeira vez nos idos de 1984, interpretando Marieta, do espetáculo A pena e a lei, de Ariano Suassuna, agraciada com o meu primeiro prêmio de Melhor Atriz.

TeatroPE: Quantos espetáculos de teatro já montou e Quais?

PB: Participei, como atriz, de 11 espetáculos: A pena e a lei, de Ariano Suassuna, 1984; Recado verde, de Erenice Lisboa, 1986; Solte o boi na rua, de Vital Santos, 1987; A promessa, de Luiz Marinho, 1988; Nó de 4 pernas, de Nazareno Tourinho, 1990. Todos esses com direção de Severino Florêncio. Em 1992, fiz Avatar, de Paulo Afonso Grisolli, com direção de José Manoel Sobrinho; Fiel espelho meu, de Lourdes Ramalho, 1993, direção de Didha Pereira; Valsa nº06, de Nelson Rodrigues, 1995, direção de Romualdo Freitas; Negrorei, de Walmir Ayali, 1997, direção de Carlos Carvalho; A feira, de Lourdes Ramalho, 2003, direção de Francisco Torres; Whisky para Guiomar, de Lourdes Ramalho, 2005, nova direção de Severino Florêncio.

Recado Verde (1986)

Whisky para Guiomar ( 2005 )


TeatroPE: Você trabalha quase que exlusivamente autores nordestinos, tendo montado Ariano Suassuna, Luiz Marinho, Lourdes Ramalho, Vital Santos, etc. Como analisa a dramaturgia nordestina?

PB: O fato de ter uma carreira pautada em montagens de autores nordestinos não significa um estigma ou limitação. Pelo contrário, analiso a dramaturgia nordestina como sendo universal e recheada de fatos e “causos” inerentes ao universo humano. Os autores nordestinos, além de uma peculiaridade e competência extraordinárias, sabem como ninguém se impor diante de temas políticos, sociais e religiosos, de forma leve, lírica e cativante, levando as platéias ao delírio. O teatro, além de proporcionar lazer, é um veículo de formação, transformação e interação de uma sociedade. A dramaturgia nordestina é entendida e degustada do Oiapoque ao Chuí, sem reservas para o sotaque ou coisa que o valha.

A Promessa ( 1988 )

TeatroPE: Gostaria que você falasse um pouco do processo de criação com cada um dos diretores com quem já trabalho?

PB: Sou uma atriz que, além de um bom texto, valoriza muito a figura do encenador. Vejo-o como o responsável pelo sucesso de qualquer espetáculo. Cada um com os seus saberes e sua forma de lidar. Um excelente texto, em mãos erradas, vira um faz-de-conta. Um texto, por singelo que seja, nas mãos de um diretor competente, vira uma obra-de-arte. Tive a sorte, desde 1982, de estar nas mãos competentes e cuidadosas desses mestres:Severino Florêncio, pegando-me pela mão e ensinando-me o bê-á-bá da arte de representar; José Manoel, instigando-me ao conhecimento do método de Stanislavski; Didha Pereira, levando-me a desbravar sentimentos e manifestações interiores, nunca antes explorados; Romualdo Freitas, colocando-me no limite da resistência e do convencimento cênico; Francisco Torres, aceitando sugestões e garimpando idéias; Carlos Carvalho (6), dando-me a certeza que somos aquilo que somos. Para todos, tiro o meu chapéu!

Fiel espelho meu ( 1993 )


TeatroPE: Como é a sua metodologia de trabalho de atriz?

PB: Antes de definir o perfil de qualquer personagem, prefiro mergulhar no universo da trama como um todo. Sou consciente de que uma obra teatral é um conjunto e temos que ter a preocupação do porquê, para quê e para quem se destina a obra.
Sabemos que isso não se constrói sozinho. As opiniões, os debates, a garimpagem e dissecamento do texto, as discussões em grupo, são de extrema relevância para a construção do perfil de qualquer personagem. É esse ponto de partida que nos torna inteiros e convencíveis. Gosto de me expor a avaliações antes de levar meu personagem ao público. Pessoas abalizadas no assunto sempre nos ajudam na composição de cada personagem. Levamos uma primeira idéia, depois estamos abertos a mudanças e até castração de determinados conceitos. Gosto de fazer pesquisa de campo e tenho o hábito de cumprir a minha tarefa, solitária, de atriz. Experimento a intimidade e a essência da personagem. Se eu aprovar a minha criação, tenho 90% de chance de acerto. Caso contrário, parto para novas descobertas. Sou exigente comigo, pois quero que o produto final tenha o selo de qualidade, referendado pelo público.

Valsa n° 6 ( 1995 )


TeatroPE: Gostaria que você falasse das principais premiações de sua carreira.

PB: Sou uma atriz de muita sorte, pois sempre fui comandada por mãos competentes. Fui premiada do primeiro ao último espetáculo encenado, por diversas vezes, nos tempos e situações mais diversos, portanto, inesquecíveis! Acho que todo prêmio é principal, uma vez que é único e foi conquistado em situações ímpares. Guardo-os todos expostos em minha casa (futuramente no meu teatro), como se fossem filhos únicos e insubstituíveis. Sou vaidosa com isso. Eles são o meu tesouro palpável.

Filme A Máquina ( 1995 )

TeatroPE: Você é considerada a primeira dama do teatro caruaruense. Como foi construir uma carreira numa cidade do interior? É possível viver de teatro no interior de Pernambuco?

PB: Ser primeira dama, segunda, terceira... ou classificação que o valha, me faz sentir deveras lisonjeada. Foi uma vida de construção, junto aos colegas atores, diretores e técnicos. Não se vence sozinho! Há dezenas de mãos que nos fortalecem e nos fazem alcançar os píncaros da glória. A eles, minha eterna gratidão pelo companheirismo e confiança. Eles construíram comigo a minha história! Estou comemorando Jubileu de Prata na cena pernambucana e não senti ainda o sabor de viver da arte (apenas agora, de setembro de 2007 a maio de 2008, estou sentindo a delícia de ser paga para fazer o que gosto e acredito). A Rede Globo me deu esse presente e estou imensamente feliz! É um sonho realizado!

O Cangaceiro

TeatroPE: Você criou a Cia. de Produções Artísticas Prazeres Barbosa. Você sempre acumulou as funções de produtora e atriz?

PB: Na verdade, a Cia. de Produções Artísticas Prazeres Barbosa não foi criada por mim. Fui professora da Escola Elisete Lopes, trabalhando com teatro, dança, artes plásticas, artesanato e matérias afins. Com a minha aposentadoria prestes a ser efetivada, os alunos resolveram me presentear, renomeando o grupo de teatro já existente com o meu nome. Recebi o presente envaidecida e decidimos pela sua continuidade. Na Companhia todos fazemos de tudo um pouco e eu estou inserida nesse contexto. Estamos com 16 anos em atividade.

A Pedra do Reino

TeatroPE: Você participou de vários filmes da chamada retomada do cinema nacional. Queria que você falasse dessa experiência como atriz de cinema? Como chegou a esses elencos, etc?

PB: Participei dos filmes: As Videntes de Cimbres, de Alberto Sales, 1992; América au Poivre, de Sérgio Oliveira (Melhor Atriz no XIX Guarnicê de Cine e Vídeo), 1995; O Baile Perfumado, de Lírio Ferreira– longa - 1995; Caminhos de Monte Santo, deValdir Oliveira – Especial Rede Globo NE – 1996; O Dia em que Roberto Faltou - Especial TV Viva – 1995; O Cangaceiro, de Aníbal Massaíne - Longa - 1995; Chega de Cangaço, de Marco Hanois1998; Espelho D’Água, de Marcus Vinícius CezarLonga -2001; As Três Marias, de Aluizio Abranches – Longa – 2000; Árido Movie, de Lírio Ferreira - Longa – 2003; A Máquina, de João Falcão e Adriana Falcão - Longa – 2004; Canta Maria, de FranciscoRamalho Jr. – Longa – 2005; Agreste Adentro, de Eduardo Morotó – 2006.Sabemos que teatro, cinema e televisão têm linguagens diferenciadas, no entanto, o que conta é a compreensão e a forma original como se faz. Tive a oportunidade de ser assistida, em teatro, por diretores de cinema e TV, daí os convites foram surgindo. A cada filme que faço, há sempre interessados na área espionando e assim os convites se sucedem.

O dia em que Roberto faltou

TeatroPE: No momento, você está no ar na novela Duas caras. Mas já participou de A diarista e A pedra do reino. Gostaria que você falasse como chegou à TV? Como tem sido a experiência? O que de fato diferencia a experiência do palco da experiência televisiva?

PB: Quando filmei A máquina, de João Falcão, pela Globo Filmes (2004), fui solicitada a fazer um cadastro na Rede Globo. De lá para cá tenho vivenciado excelentes participações em A diarista, A pedra do reino e Duas caras. Atualmente, estou no ar com a personagem Shirley, na novela das 20h da Rede Globo, de Aguinaldo Silva, com direção de Wolf Maia.Sendo linguagens distintas, precisamos ter convicção de pequenos e grandes gestos. No teatro tudo é permitido. Pode tudo! Na TV precisamos ter um comedimento maior de gestos. O cinema é extremamente meticuloso, pois um excesso facial tem uma conotação inimaginável. O gostoso do teatro é o feedback instantâneo.Na televisão, você tem a chance de adentrar os lares sem pedir licença e a empatia é impressionante. No cinema, a resposta chega num ritmo mais lento, entretanto é ali que se concentra a visão e a seleção dos melhores do mundo. Agradeço a Deus por tantos momentos inesquecíveis, vividos em minha profissão de atriz.

TeatroPE: Quando será inaugurado o Teatro Prazeres Barbosa? Quais os próximos projetos?

PB: O Teatro Prazeres Barbosa está em fase de conclusão. Não estamos prevendo data de inauguração, já que precisamos de equipamento de luz, som e assentos. Até lá, temos um longo caminho. Vamos continuar a batalha! Quanto a novos projetos, pretendo ficar um tempo aqui no Rio de Janeiro. Pretendo me dar a oportunidade de vivenciar novos desafios e continuar apostando em vôos mais altos.

A Pedra do Reino


Entrevista cedida ao site www.teatrope.com ACESSE !!