sábado, janeiro 12

A Diva do Teatro Pernambucano Prazeres Barbosa será homenageada em dezembro e ganhará Escultura em tamanho natural nos jardins da Câmara Municipal de Caruaru - PE

Por Aluysio Morais
Prazeres Barbosa, atriz, tem um longo e respeitável currículo nos palcos brasileiros, no Cinema e na Rede Globo. É considerada a Diva do Teatro Pernambucano. Coleciona dezenas de prêmios nacionais e regionais. Sua primeira premiação nacional veio com o espetáculo "A Promessa", em 1989, em São José do Rio Preto - SP
            A atriz caruaruense (mora no Rio de Janeiro há cinco anos)  que tanto se orgulha de suas raízes, não para de ser homenageada no cenário brasileiro. Em 2012 é a vez da Câmara de Vereadores do Município de Caruaru, imortalizá-la com uma Escultura, em tamanho natural (obra do artista plástico Manoel Claudino da Silva), nos jardins da Câmara Municipal. A inauguração será no mês de dezembro, ainda sem data confirmada.

 
 59º painel de autoria de Tita Caxiado feito com muito amor e carinho para presentear a atriz Prazeres Barbosa que coincidência ou não, a mesma completaria 59 anos na ocasião.

Acumula 20 atuações, no cinema brasileiro e uma internacional, 13 espetáculos de teatro e 16 trabalhos na TV Globo. Prazeres Barbosa é motivo de grande orgulho para todos os nordestinos, pernambucanos e principalmente para os caruaruenses. Ela sempre afirma: “A vida é um caminho enigmático; O que conta são as emoções vividas na hora certa, no momento exato!”
Aluysio Morais – Sendo uma das atrizes mais premiadas de Pernambuco, qual o sentimento de se tornar uma Estátua?
Prazeres Barbosa – Cada homenagem é única e como tal tem seu valor absoluto. Desde 1984 tenho degustado esses momentos advindos dos poderes públicos constituídos do meu Estado, da minha cidade e da imprensa local e regional.
Tornar-me uma Estátua, em vida, na Câmara de Vereadores de Caruaru, é ter a certeza de que tudo valeu a pena, pois sou pequena, mas minha alma, não! É uma gratidão múltipla que faço questão de salientar, pois não é de hoje que sou laureada, referendada e respeitada pela Casa Jornalista José Carlos Florêncio. Aqui, santo de casa faz milagres!                             
Aluysio Morais – Você esperava tal homenagem? 
Prazeres Barbosa – Jamais! Acho que devo estar tendo um sonho e que vou acordar ao acender das luzes. Soube que foi uma escolha unânime, sem restrições nem pedidos externos, que é o mais importante pra mim. Isto me faz inteira e íntegra! Definitivamente, acredito que o que conta é o que somos em essência; O resto é transitório. Terei o privilégio de agradecer-lhes, pessoalmente, em mais uma noite inusitada da minha vida! Vamos à festa!
Aluysio Morais – Em dezenas de títulos e homenagens, como Mecenas das Artes Cênicas, detentora do Colar Sesquicentenário de Caruaru, entre outros, qual a sensação de ter sua biografia escrita em vida?
Prazeres Barbosa – Reafirmo que palavras ditas caem no esquecimento, vez que vivemos num País sem memória, mas escritas têm um “quê” de imortalidade, pois provocam questionamentos, reflexões e constatações. Fernandino Neto, em PRAZER EM CONHECER, fez o registro fiel de vida, de luta e ousadia de uma professorinha de Português, na Escola Elisete Lopes, que aos 32 anos se tornaria atriz.
 Estátua criada pelo artista plástico Manoel Claudino da Silva 
 
Aluysio Morais – Como foi sua aproximação com o Fernandino Neto?
Prazeres Barbosa – Nós não nos conhecíamos. Na época em que ele estava cursando Jornalismo, na FAVIP, foi fazer uma entrevista comigo, em minha casa, como trabalho de Faculdade. Viu que a minha residência parecia um “museu” e bisbilhotou, na imprensa local/regional/nacional, e achou que era uma trajetória interessante de registro. Daí por diante, com a entrevista publicada no Jornal Vanguarda, onde estagiara, junto às informações curriculares e o aval do corpo docente da Faculdade, decidiu que o seu TCC seria minha biografia. Ele falou do seu intento e eu lhe dei carta branca. Presentaço!
Aluysio Morais – Qual a sensação de autografar a sua própria história?
Prazeres Barbosa – É uma sensação que não sei definir, só sei sentir. Em cada autógrafo é como se fosse uma estreia, igual ao teatro, pois quem vai ler vai me conhecer pelo avesso. Dá um friozinho na barriga!(risos) Tenho orgulho da minha trajetória. Quem ler PRAZER EM CONHECER terá mais a ganhar do que perder. Na dúvida, estou aqui pra ratificar!
 Caxiado com Prazeres Barbosa no filme "AGRESTE ADENTRO", de Eduardo Morotó, em 2006, em Frei Miguelinho-PE
 Escultura comparada
 
Aluysio Morais – Francamente você esperava receber tantas homenagens em sua carreira profissional?
Prazeres Barbosa – Sinceramente, não. Tenho uma vida e uma carreira construída em alicerces sólidos, tanto na família, em sala-de-aula como professora, quanto no SESC. Isto é muito importante. Os ganhos são frutos de um trabalho diário, incessante. Na verdade, o que dá sentido a vida são as coisas simples, que estão ao alcance de todos, mas ninguém percebe. Daí a carreira vai se solidificando e a gente não se dá conta. Construí minha trajetória sem queimar etapas, isso é de suma importância!
Aluysio Morais – O grande artista plástico Tita Caxiado prestou-lhe uma grande homenagem com o 59º painel de sua autoria no mesmo ano em que você faria 59 anos. Foi coincidência ou algo do destino?
Prazeres Barbosa – O destino é o homem quem faz. Artistas se encontram, se curtem, se respeitam... Caxiado sempre foi minha referência nas Artes Plásticas Visuais. No período da construção do meu teatro ousei sonhar com a possibilidade de ter uma obra dele em meu canto de arte. Conversamos a respeito, ele topou o desafio e fomos à luta. A cada dia um encantamento único! Terminada a obra, quando fomos acertar o financeiro, ele falou que era o presente dele ao meu teatro. Quase morri de emoção. Nada o fez voltar atrás em sua decisão. Caxiado, na minha vida, é como uma tatuagem; Levarei pra sempre!

 Aluysio Morais - Você começou no teatro. O que você tem a dizer sobre o teatro brasileiro.
Prazeres Barbosa – Aprendi que só podemos nos considerar “atores” quando o público acredita em nós, como tal. Estamos vivenciando um momento riquíssimo em produção teatral. O que falta é as pessoas valorizarem os ganhos sem ficar lamentando as perdas! Nunca vi tanta coisa boa nesses últimos cinco anos!
Aluysio Morais – Como foi sua trajetória no teatro no Cinema na TV?
Prazeres Barbosa – Tenho procurado, sempre, o caminho de todos os atalhos. Teatro, Cinema e TV foram surgindo do improvável. Não entendo muito essa trajetória, mas comemoro dia após dia. Deus tem a explicação, eu não!
Aluysio Morais – Você não acha que o teatro brasileiro é um pouco esquecido no País? O que você faria para que os mesmos tivessem um público maior, que levasse principalmente o nordestino a ter uma participação mais relevante?
Prazeres Barbosa – Precisamos agir mais e falar menos. O nordestino nunca esteve tão bem valorizado neste País. É casa lotada, quando o espetáculo é sobre o nordeste. Vocês precisam assistir “Gonzagão A lenda”, de João Falcão. Esta é apenas uma referência. É algo extraordinário! Assisti, chorei e me emocionei. E mais uma vez reafirmo: É por tudo isto que me orgulho de ser nordestina, de Pernambuco, de Caruaru!




Aluysio Morais – O que é ser nordestino pra você?

Prazeres Barbosa – É ter a valentia de desbravar o mundo, conquistar valores e nunca perder a essência. É bater no peito e não ter vergonha do seu sotaque, do seu povo, do cheiro do cuscuz com bode guisado... É acreditar que somos e podemos fazer a diferença numa sociedade tão diversa.



Aluysio Morais – Você esteve no período junino este ano em Caruaru. É com assiduidade que você frequenta o maior São João do mundo?

Prazeres Barbosa – Caruaru, em junho, é o meu roteiro programado. Quando não estou por lá é que os compromissos não deixam. Como perder o Maior São João do Mundo? Me aguardem!



Aluysio Morais – Você teve uma brilhante participação no palco com a cantora Rosimar Lemos quando cantaram juntas O xote das meninas, de Zé Dantas e o eterno Luiz Gonzaga. A música foi escolhida por acaso ou pelos 100 anos de  Gonzaga?

Prazeres Barbosa – Acredito que foi em homenagem ao Rei do Baião mesmo. A música já estava definida e me senti orgulhosa em participar do show de uma das melhores cantoras da região, Rosimar Lemos. Vamos repetir a dose sempre que for conveniente.



Aluysio Morais – Você se espelhou em alguém para chegar aonde chegou?

Prazeres Barbosa – Ser atriz sempre foi meu sonho. Só tive a oportunidade de experimentar aos 32 anos. Senti que não queria apenas fazer arte, mas ser o fruto dela. Trinta anos depois, aqui estou! (risos)



Aluysio Morais – Quais seus planos para o futuro?

Prazeres Barbosa – Aprendi, com a maturidade, a viver um dia por vez. Estou na érea de conforto; Tudo o que vier é lucro! O tempo da correria passou.

Aluysio Morais – O que você tem a dizer a seu público fiel?
Prazeres Barbosa – Quero estar inteira, para poder oferecer ao público o meu melhor.
Aluysio Morais – Palavras que definem sua trajetória vitoriosa?
Prazeres Barbosa – Pés no chão, disciplina e respeito à hierarquia.


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