sábado, janeiro 12

 
Aos 61 anos Prazeres Barbosa construiu uma sólida trajetória, iniciada aos 32 anos, na época em que era professora. Passou 25 anos em sala de aula, ensinando Português e Educação Artística. Com 29 anos de carreira artística, participou de 13 espetáculos, recebendo dezenas de prêmios de melhor atriz, o último foi conquistado no IX Festival de Teatro do Rio de Janeiro, em maio deste ano. A atriz caruaruense possui ainda, em seu currículo, 17 atuações no cinema brasileiro, uma em filme internacional e 11 trabalhos na TV Globo.
Mecenas das Artes Cênicas, ladeada por Ariano Suassuna e João Cabral de Melo Neto; Uma das atrizes mais premiada do Estado de Pernambuco; Medalha Sesquicentenário de Caruaru, outorgada a 150 personagens que mais contribuíram para o progresso da cidade; Atriz global há 4 anos; Biografia escrita em vida.
Além de grande sucesso no teatro brasileiro Prazeres teve participações fantásticas na TV e no cinema. Na Rede Globo atuou em “A Diarista”, “A Pedra do Reino”, “Duas Caras”, “Malhação”, “A Favorita”, “Por toda Minha Vida”, “Cama de Gato”, “Tempos Modernos”, “Didi, Nosso querido Trapalhão – Especial de Fim de ano” e “Insensato Coração” vivendo a personagem Amélia.
No Cinema: “Baile Perfumado, de Lírio Ferreira”, “O Cangaceiro” de Aníbal Massaine, “Espelho Dágua”, de Marcus Vinícius César, “As Três Marias”, de Aluízio Abranches, “A Máquina”, de João Falcão, “The Expendables”, de Sylvestre Stalonne, “As Vidas de Chico Xavier”, de Marcos Bemstein, “Tropa de Elite 2” de Bráulio Montovane ,“ entre outros.

Por Aluysio Morais

Aluysio Morais – Como foi sua primeira experiência como atriz?
Prazeres Barbosa - Inesquecível! Senti a concretização de um sonho acalentado desde criança. Naquele momento começava mais uma etapa da minha vida.

A.M. – Como surgiu a idéia de ser atriz?
P.B. – Eu não tive a “idéia” de ser atriz. Acredito ter nascido atriz, mas só na maturidade tive a oportunidade exercitar e assumir a carreira de atriz.

A.M. – Com quantos anos você começou no teatro e na TV?
P.B. – No teatro, aos 32; Na TV, aos 57.

A.M. – Você se sente uma pessoa realizada no mundo da dramaturgia?
P.B. – Tenho consciência de que tenho muito mais a oferecer. Estou na fase embrionária. Se tiver oportunidades, caminharei a passos largos. “...se avexe não, que amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada...”

A.M. – Dentre os longas que você fez, teve algum em especial?
P.B. – “A Máquina”, de João Falcão. Foi porta de entrada para a TV Globo e o Cinema tornou-se freqüente.

A.M. – Você ganhou vários prêmios e bem merecidos por sinal. Todos foram importantes em sua carreira, sem dúvida. Qual desses prêmios você tem como destaque?
P.B. – O meu Primeiro Prêmio Nacional, em São José do Rio Preto-SP, em julho/1989, com o espetáculo “A PROMESSA”, de Luiz Marinho. Daí pra frente alcei vôos mais desafiadores.

A.M. – Você sofreu algum preconceito por ser uma atriz Nordestina?
P.B. – Já me acostumei a ultrapassar barreiras e desmistificar preconceitos. Sou o que sou e nunca fui rejeitada em minha essência. Não tenho intenção de querer mudar. Tenho orgulho da minha origem; pernambucana, graças a Deus!

A.M. – Como você ver as novelas exibindo cenas inadequadas em horários que ainda tem criança assistindo?
P.B. – Os tempos mudaram. A criança de dez anos atrás não é a mesma de hoje, onde a informação virtual está a anos luz da realidade física. Os valores do Século XXI são outros. A moral, ou falta dela, deve ser herança familiar. Seria impossível querer alfabetizar uma criança com os mesmos métodos e conceitos que nos foram impostos. Se não evoluirmos e priorizarmos o que realmente tem valor, permaneceremos na berlinda para sempre. Seremos eternos arcaicos e excluídos da sociedade que gira incessantemente.

A.M. – Antes as novelas como Barba Azul e Os Inocentes, ambas de 1974, Mulheres de Areias (1973) não tinham cenas picantes como nos dias atuais e com certeza tinham um bom público. Hoje essas cenas mais ousadas servem para atrair mais o público jovem?
P.B. – O que no passado era tabu, hoje é acessório de primeira necessidade. Não quero crer que o foco da dramaturgia televisiva seja a vulgarização do sexo, mas temos que admitir que os “noveleiros” (de todas as idades) adoram! Telenovelas mostram a vida como ela é, só isso. A palavra de ordem, para mim, são os valores que ensinamos aos nossos filhos, pois o resto eles aprende com a vida.

A.M. – O que você tem a dizer sobre o teatro brasileiro?
P.B. – Está em sua melhor fase, tanto em qualidade quanto em quantidade. Bravo!

A.M. – Qual a personagem que mais você gostou de fazer?
P.B. – Os fiz, todos, dando o meu melhor. Cada um tem sua peculiaridade, mas viver “Sônia”, menina de 15 anos (quando tinha 45), em “VALSA Nº 6”, de Nelson Rodrigues, foi simplesmente extraordinário. Outro inesquecível foi o Padre Elias, de Nó de 4 Pernas, de Nazareno Tourinho. Era de tirar o fôlego!

A.M. – A que se deve, tantos prêmios em sua coleção?
P.B. – Talvez seja pela seriedade que me entrego aos meus personagens, seguido de respeito ao público e a profissão. No meu conceito, ser ATRIZ é viver a disposição do outro. É entregar-se ao sabor do experimento.

A.M. – Qual sua reação quando soube que Fernandino Neto ia lançar um livro contando sua história?
P.B. – Felicidade extrema, afinal ter sua vida nas páginas de um livro, onde no lugar da cruz tem uma reticência, é saborear o doce prazer de viver.

A.M. – Se não fosse atriz você seria o quê?
P.B. – Cantriz – cantora e atriz.

A.M. – O que tem a dizer às pessoas que trabalharam durante esse tempo no teatro, cinema e TV?
P.B. – Somos vencedores! Feliz do homem que ganha o seu sustento se divertindo, produzindo e espalhando otimismo e diversão a humanidade.

A.M. – O que você tem a dizer a todos caruaruenses que sempre torceram por você?
P.B. – Que eles foram, são e serão indispensáveis, pois os louros têm valor simbólico; a torcida, valor real!

A.M. – Uma frase:
P.B. – Humor é o segredo dos Santos, apenas os que têm fé divertem-se.

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